O jornal americano de economia Wall Street Journal, no dia 6/5, publicou reportagem sobre a investigação de autoridades francesas e suíças junto a empresa de engenharia Alstom, que teria pago milhões de dólares em propinas para obter contratos na América do Sul, inclusive um contrato com o Metrô de São Paulo. Segundo o jornal, autoridades policiais suíças se encontraram com policiais brasileiros para discutir o pagamento de propinas no valor de US$ 6,8 milhões que a Alstom teria pagado para conseguir um contrato de US$ 45 milhões para expansão do metrô em São Paulo.
Informações do jornal O Estado de São Paulo (9/5) dizem que são pelo menos 30 contratos da Alstom com o governo paulista desde 1990. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), alguns sem licitação. Estão na lista a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Engenharia e Planejamento de Transmissão de Energia (EPTE), Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), Sabesp, Dersa e CPTM.Dos contratos que passaram pelo TCE, chamam a atenção três da Cteep com dispensa de licitação.
Foram firmados em 2002 e 2003 e somam mais de R$ 5,6 milhões, em valores da época.Para o Metrô, são pelo menos cinco contratos, que tiveram vários aditivos. Há dois para a Linha 2 - Verde, de 2005, que somam R$ 160 milhões. Outro de 1990, de R$ 4 milhões para a Linha 3 - Vermelha.
O aditivo mais recente é de maio de 2007, de R$ 70 milhões, para compra de 22 trens. Esse contrato é referente a uma licitação de 1992, vencida pela então Mafersa, que foi adquirida pela Alstom em 1997. Na época, o contrato valia R$ 324 milhões.Um contrato de outubro de 2000, para obras da Linha 5 - Lilás, para serviços de engenharia, projeto, montagem, instalação de sistemas, incluindo o fornecimento de oito trens, destinados à implantação do ramal, acabou não executado pelo Metrô. "Por decisão do governo do Estado, o Metrô não executou as obras da Linha 5-Lilás, entre Capão Redondo e Largo 13, que ficaram a cargo da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), também responsável por todos os contratos", informou a assessoria de imprensa do Metrô. O contrato era de R$ 527.321.321,86, em valores da época.
Deputados querem esclarecimentos do governo do Estado
O deputado Enio Tatto (PT), líder das Minorias na Assembléia Legislativa, encaminhou, em 8/5, ofício à superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, no qual solicita detalhamento da informação acerca das suspeitas de que funcionários da Alstom teriam pago US$ 6,8 milhões a determinados políticos, para que a empresa ganhasse um contrato no valor de US$ 45 milhões para expansão do metrô de São Paulo.
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