quarta-feira, 28 de maio de 2008

Oposição denuncia: deputados não estão fiscalizando o poder executivo


Os pareceres emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)que apontam irregularidades nos contratos do governo paulista e que precisam ser votados pelos deputados, para só então serem encaminhados ao Ministério Público para investigação, voltam a ser alvo de denúncia da oposição na Assembléia Legislativa. Em 20/5, o líder da bancada do PT, deputado Roberto Felício, afirmou que há cerca de três mil destes pareceres “parados ou nas comissões de Finanças e Orçamento e Fiscalização e Controle ou na gaveta do presidente da Casa que não os coloca na pauta de votação”.


O petista disse que, entre os três mil pareceres, estão pelo menos seis contratos (que totalizam R$ 1,3 bilhão) com suspeitas de irregularidades firmados entre o governo estadual e a empresa de engenharia francesa Alstom, que há cerca de um mês está sendo investigada pelas polícias da França e da Suíça por suspeita de pagamento de propinas para firmar contratos em vários países, inclusive com o governo de São Paulo.


Segundo o deputado, os pareceres do TCE apontam problemas que vão desde questões técnicas nos contratos até situações mais graves, como indícios de favorecimento em licitações ou pagamentos acima do previsto às empresas.


O líder do PT denuncia que há anos a Assembléia Legislativa é presidida por deputados que compõem a base de sustentação dos governadores e que prorrogam ao máximo o engavetamento dos pareceres contrários ao governo.


Por lei, os deputados são obrigados a apreciar cada um desses pareceres e, quando julgados irregulares pelo plenário são encaminhados para investigação do Ministério Público. A fiscalização aos atos do governador e do poder executivo como um todo, para a boa aplicação dos recursos públicos, é um dos deveres dos parlamentares que representam a população.


No mesmo dia (20/5), o deputado Bruno Covas (PSDB), que preside a Comissão de Finanças e Orçamento declarou em plenário que em sua comissão não há pareceres engavetados.

Fumar em local proibido vai dar multa de R$ 599 ao fumante e ao estabelecimento

Agora é lei (nº 13.016/08) a proibição de fumar em áreas internas de escolas; bancos; hospitais, clínicas e estabelecimentos de saúde; repartições públicas federais, estaduais e municipais; localizadas em todo o território do Estado de São Paulo.

A proibição abrange o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos e cigarros de palha e a infração acarretará a aplicação de multa de R$ 599,33 ao fumante infrator e ao estabelecimento em que ocorrer a infração. Em caso de reincidência, a penalidade será aplicada em dobro. O valor da multa é equivalente a 37,59 UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo).

A lei sancionada pelo governador provem de projeto de lei de autoria do deputado Vinicius Camarinha (PSB), aprovado pelos deputados em 9 de abril.

Governador veta projeto que proibia desperdício de água

Com um consumo médio diário de água de 150 litros por pessoa, o Brasil atinge a marca de 40 litros acima do recomendado pela Organização da Nações Unidas (ONU). Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro à média populacional chega a 220 litros. Mesmo diante dessa realidade, o governador José Serra vetou projeto do deputado Luiz Carlos Gondim (PPS) que previa multa de até R$ 1.488,00 para os consumidores que desperdiçassem água potável, como na lavagem de calçadas, ruas, veículos, rega de jardins e gramados com o emprego de mangueira e máquinas de pressão a jato.

No veto, o governador observa que o projeto “intenta disciplinar relação estabelecida entre o fornecedor e o consumidor final da água, na ponta da cadeia de distribuição, no local em que o usuário do serviço público dele se vale”. Neste sentido, para o governador a fiscalização sobre o uso da água cabe a competência administrativa e legislativa dos municípios.


No mesmo dia (20/5), o Diário Oficial publicou veto do governador ao projeto do deputado Sebastião Almeida (PT) que instituía o Programa Estadual de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações Públicas e Privadas - PURAE. O projeto estipulava um prazo de 10 anos para o Estado adequar todos os prédios públicos com mecanismos e aparelhos que permitam economia de água.
Parte da justificativa afirma que da forma como está apresentado, o projeto admite como generalizáveis, práticas que, dependendo das circunstâncias, encerram risco potencial à saúde pública e ao saneamento ambiental.

Outros vetos da semana

Foram vetados pelo governador os projetos: que obriga a inserção de mensagens educativas sobre o uso de drogas e substâncias entorpecentes, antes de qualquer sessão de cinema e durante shows, eventos culturais e esportivos (deputado Gil Arantes – DEM); e dispõe sobre a obrigatoriedade da inserção de informação sobre os malefícios do consumo de álcool e drogas, impressa em todo livro didático distribuído aos alunos do ensino fundamental II e médio (deputado Luciano Batista – PSB).

Saúde dos municípios recebe recursos de emendas dos deputados

. Águas de Lindóia – material de consumo e medicamentos para o Hospital Geral Francisco Tozzi (Santa Casa) – R$ 100 mil (deputado Barros Munhoz – PSDB)
. Agudos – Associação Hospitalar - R$ 22 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Arealva – Santa Casa - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Avaré – Santa Casa - R$ 70 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Alvinlândia – compra de uma ambulância – R$ 40 mil (deputado Vinícius Camarinha – PSB)
. Bocaina – Santa Casa - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Brotas – Hospital Santa Terezinha - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Cândido Mota – compra de ambulância – R$ 40 mil (deputado Vinícius Camarinha – PSB)
. Dois Córregos – Santa Casa - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Getulina – Santa Casa - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Icanga – Santa Casa - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Itapeva – melhorias no atendimento à saúde da população do município – R$ 50 mil (deputado Roberto Felício – PT)
. Itapuí – Hospital e Maternidade São José - R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Jaú – Associação Hospitalar Thereza Perlatti – R$ 40 mil; Hospital Amaral Carvalho – R$ 527 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. José Bonifácio – compra de equipamentos para a Santa Casa (deputado Mozart Russomanno – PP)
. Macatuba – Santa Casa – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Marília – construção da casa abrigo e espaço multiuso na Associação de Combate ao Câncer – R$ 80 mil; aquisição de equipamentos para o Hospital da Clínicas – R$ 195 mil; modernização do Instituto dos Olhos – R$ 50 mil; compra de aparelhos de videolaparoscopia no Hospital Materno Infantil – R$ 115 mil; construção de vestiários na Faculdade de Medicina de Marília – R$ 200 mil (deputado Vinícius Camarinha – PSB)
. Perdeneiras – Santa Casa – R$ 25 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Pindorama – construção de Unidade Básica de Saúde – R$ 100 mil (deputado Valdomiro Lopes – PSB)
. Pirajuí – Santa Casa – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Piratininga – Santa Casa – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Quintana – reforma do posto de saúde – R$ 50 mil (deputado Vinícius Camarinha – PSB)
. Torrinha – Hospital Padre Nicanor Menino – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)

Verbas para obras e entidades beneficentes

. Agudos – aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Avaré - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Barrinha – obras no Terminal Rodoviário – R$ 80 mil (deputado Roberto Engler – PSDB)
. Cordeirópolis – compra de móveis para a APAE – R$ 30 mil (deputado Aldo Demarchi – DEM)
. Duartina - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Itapuí – reforma no prédio do Terminal Rodoviário – R$ 100 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Itirapuã – pavimentação de ruas – R$ 70 mil (deputado Roberto Engler – PSDB)
. Jaú - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Lençóis Paulista - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Macatuba - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)
. Mirandópolis – pavimentação asfáltica de ruas – R$ 100 mil (deputado Edmir Chedid – DEM)
. Pederneiras - aquisição de equipamentos para a APAE – R$ 15 mil (deputado Pedro Tobias – PSDB)

Contaminação do solo e mudanças no clima são preocupações apontadas em projetos

Subiram de 255 em 2002 para 2.272 em 2007 as áreas de solo contaminadas no Estado de São Paulo. Esses dados definem como urgente a aprovação do projeto 368/2005, de iniciativa do governador. O projeto visa implementar mecanismos eficazes para promover a proteção do solo contra alterações nocivas decorrentes de contaminação, tratando, ainda, da definição de responsabilidades e da identi­ficação de áreas contaminadas, bem como das medidas destinadas à remediação dessas áreas, de modo a tornar seguro seu uso atual e futuro, em benefício da população e da qualidade ambiental.

Entre os pontos do projeto destaca-se a criação do Fundo Estadual para a Prevenção e Remediação de Áreas Contaminadas (Feprac). Composto por recursos estadual, federal, do exterior, doação e das multas aplicadas pelo Estado em função da lei, o Fundo destina-se à proteção do solo contra alterações prejudiciais às suas funções, bem como à identificação e à remediação de áreas contaminadas.

Das 2.272 áreas contaminadas, 743 estão localizadas na Capital; 442 nas demais cidades da Região Metropolitana; 153 no Litoral; 148 no Vale do Paraíba e 786 no interior. Os postos de combustíveis encabeçam a lista com 1.745 registros (77% do total), seguidos das atividades industriais com 322 (14%), das atividades comerciais com 114 (5%), das instalações para destinação de resíduos com 69 (3%) e dos casos de acidentes e fonte de contaminação de origem desconhecida com 22 (1%).

O deputado Donisete Braga (PT) que apresentou os dados das áreas contaminadas, defende a aprovação e recorda que o projeto chegou à Assembléia em 6/6/2005 e foi enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na condição de relator desta comissão, o deputado lembra que foram realizados painéis técnicos e muitas das sugestões acabaram incorporadas à matéria por meio de 40 emendas parlamentares. Aprovado pela CCJ em 13/12/2005, o PL foi enviado à Comissão de Defesa do Meio ambiente, que deu parecer favorável em 6/3/2007. Dois dias depois foi encaminhado à Comissão de Finanças e Orçamento, onde aguarda deliberação antes de ser enviado ao Plenário para votação.

Política Estadual sobre Mudança Global do Clima

Frente ao compromisso assumido pelo Brasil, ao assinar o Protocolo de Quioto, de estabelecer programas de controle de emissões de gases de efeito estufa e de adaptação à mudança global do clima, cabe a adoção de políticas públicas que sejam eficazes e não apenas na esfera federal, mas também na estadual. Com esta preocupação, o deputado Adriano Diogo (PT) apresentou projeto de lei (383/2007) que cria a Política Estadual sobre Mudança Global do Clima. O projeto já foi aprovado em todas as comissões e encontra-se pronto para ser votado em plenário, apenas aguarda entrar na ordem do dia.

Em sua justificativa, o deputado explica que trata-se de “uma política pública compromissada com os ideais de desenvolvimento sustentável, que busca promover o engajamento e participação efetiva e responsável de todos os atores, públicos e privados, na missão de garantir, naquilo que cabe ao Estado de São Paulo, o bem-estar das presentes e futuras gerações de sua população, bem como contribui para a manutenção da vida no planeta”.

Como diretrizes para essa política estadual, o projeto estabelece, entre outras, o inventário estadual de emissões de forma sistematizada e periódica; cooperar com outras esferas de competência, nacionais ou internacionais, no desenvolvimento de inventários de emissões de gases de efeito estufa; desenvolver programas para sensibilizar, conscientizar e mobilizar a sociedade a respeito das causas e impactos da mudança global do clima; criar linhas de financiamento para estimular o desenvolvimento científico e tecnológico sobre a mudança global do clima; e promover a cooperação interinstitucional entre o Estado de São Paulo e municípios na área de mudança do clima, em especial para a implementação eficaz da Política Estadual sobre Mudança Global do Clima.

Mas para ser lei, falta o Plenário aprovar.

Pescadores têm primeira vitória com adiamento do decreto

A polêmica apresentada pelo De olho nos deputados (17/5) sobre o decreto que transformaria o litoral do Estado em uma unidade de conservação, proibindo completamente a entrada e passagem de pessoas em ilhas e mar aberto está adiada por mais algumas semanas. O secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano, reunido em 19/5, com pescadores em Ubatuba afirmou que o decreto, que seria regulamentado em 8/6 pelo governador, teve sua assinatura prorrogada por 30 dias e antecipou que haverá alterações no decreto em favor dos trabalhadores.

De um lado, a secretaria alega que o decreto pretende proteger as ilhas e costas marítimas. De outro, os pescadores dizem que não foram ouvidos na elaboração do documento e que a atividade de aproximadamente 300 mil trabalhadores náuticos do litoral será prejudicada. A categoria afirma que seus trabalhos não causam impactos à natureza e apresentam outras soluções na preservação das ilhas e costas marítimas.

A secretaria do Meio Ambiente vai elaborar uma minuta e disponibilizá-la na internet a partir do dia 26/5, no site www.ambiente.sp.gov.br. O documento poderá ser alterado de acordo com as sugestões enviadas.

Audiência pública para debater o tema está marcado para o dia 28 de maio, às 16 horas, no Auditório Franco Montoro - Assembléia Legislativo do Estado de São Paulo - Av. Pedro Álvares Cabral, 201 - Ibirapuera - São Paulo – SP

Projetos esperam anos para serem votados

O deputado Pedro Tobias (PSDB) afirmou da tribuna que já faz três anos que seu projeto sobre a proibição de contratar parentes de autoridades no âmbito dos três poderes estaduais está para ser votado. “Não quero que votem a favor, mas que pelo menos votem”, declarou o deputado indignado com a grande quantidade de projetos de leis prontos param serem votados e que não são colocados na ordem do dia pelo presidente da Assembléia, em decisão junto ao Colégio de Líderes. (O Colégio de Líderes, que é formado pelos líderes dos partidos com representação na Assembléia Legislativa, se reúne todas as terças-feiras e junto com o presidente da Casa decidem o que entrará na pauta de votação da semana).

Os deputados Olímpio Gomes (PV) e Carlos Giannazi (PSOL) afirmaram que apóiam a reclamação da demora na votação dos projetos.

E o reajuste dos funcionários públicos ?

O deputado Olímpio Gomes (PV) lembrou que há 80 dias da data-base do funcionalismo público estadual, que é 1º de março, e o Executivo não faz qualquer menção ao reajuste salarial previsto em lei. Ele lamentou ainda que os policiais civis e militares estejam 14 anos sem reajuste e declarou que a revisão salarial é fundamental para a dignidade de todo trabalhador, da ativa ou não.

Neste mesmo sentido, o deputado Mauro Bragato (PSDB) pediu, em plenário, ao governador José Serra mais atenção aos funcionários do DER – Departamento de Estradas e Rodagem – que, segundo ele, têm os piores salários do funcionalismo público.

Também o presidente da Comissão de Saúde e Higiene, deputado Adriano Diogo (PT), lamentou a rejeição na comissão de um requerimento para a realização de audiência pública, em conjunto com as comissões de Educação, Administração Pública, Segurança Pública e Finanças e Orçamento, para debater a campanha salarial unificada do funcionalismo do Estado.