domingo, 30 de novembro de 2008

Prédio anexo: obra com 2 anos de atraso tem custo 158% maior





. Obra foi contratada em 2005 por R$ 10,5 milhões, hoje já custa R$ 26,8 milhões
. Novo prédio era para ser entregue em dezembro de 2006
. Móveis importados de mais de R$ 2 milhões se estragam pelos corredores
. Assembléia é comandada pela Mesa Diretora, que tinha PSDB, PT e PDT

Vidros espelhados azuis escondem, por fora, a obra inacabada, que internamente tem apenas estruturas Até parece uma maquiagem para os cidadãos que pagam a conta não percebam o absurdo em que se encontra a obra do prédio anexo da Assembléia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera.

A Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) foi contratada por R$ 10,4 milhões em outubro de 2005, pelo então presidente da Assembléia, Rodrigo Garcia (DEM). Por meio de licitação, a CPOS contratou a empreiteira CVP por R$ 7,4 milhões para entregar o prédio em dezembro de 2006 – o que ainda não aconteceu dois anos depois.

Dois dias antes de deixar a presidência (13/3/2007), Garcia “inaugurou” o anexo inacabado com direito a discursos e corte de fita vermelha. Foi uma espécie de show-room, com um modelo de gabinete decorado para a cerimônia.

Na ocasião, Rodrigo Garcia disse que a inauguração é o passo para a consolidação do sonho de os novos deputados e os funcionários do Legislativo terem instalações que propiciem boas condições de trabalho. O primeiro secretário na época, Fausto Figueira (PT) lembrou que, enquanto os legislativos brasileiros sofrem constantes críticas públicas, a Assembléia paulista não foi alvo de um único questionamento quanto a sua conduta ética.

Depois disso, a obra sofreu paralisações e novos contratos formam assinados pelo atual presidente, Vaz de Lima (PSDB). Hoje, a obra parada, sem previsão de término, teve o custo aumentado em 158%, chegando a R$ 26,8 milhões.

O anexo com 13 mil metros será dividido em 57 novos gabinetes para os parlamentares. Os demais 37 deputados paulistas ficarão no prédio atual.

Aditamento irregular

Mesmo com problemas, a Mesa da Casa (que também tinha deputados da oposição) assinou aditamento ao contrato de construção em 11 de outubro de 2006, aumentando o custo em R$ 1,03 milhão. Este é o princípio das irregularidades apontadas em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Em novembro de 2007, o atual presidente Vaz de Lima (PSDB), assinou novo contrato, de R$ 7,3 milhões, com a CPOS para concluir o anexo.

Investigação

O conselheiro Renato Martins, do TCE, iniciou auditoria em 28/1/2008 sobre a execução e os gastos da obra, gerenciado pela CPOS. A auditoria mirou três termos aditivos ao contrato. O primeiro (11/5/2006), no valor de R$ 814 mil, previa escavações mais profundas. O segundo (11/10/2006) encareceu a obra em R$ 1,03 milhão, mas eliminou o acabamento do prédio, anteriormente previsto em contrato. Também foram retirados do contrato as instalações hidráulicas, elétricas, forro, etc. Mesmo sabendo que não está mais previsto o acabamento da obra, o então presidente Rodrigo Garcia (DEM) “inaugurou” o anexo seis meses depois, em março de 2007.

Conforme publicado em reportagem do Jornal da Tarde em 20/10/2008, o TCE fechou o cerco à CPOS nas investigações sobre a obra inacabada. Dois órgãos do Tribunal, a Assessoria Técnica Jurídica (ATJ) e a Procuradoria da Fazenda, condenaram aditamentos feitos ao contrato da CPOS – empresa do governo de São Paulo responsável pelo gerenciamento da construção – com a empreiteira CVP para a construção do prédio. Os órgãos do TCE alegam que a estatal paulista não cumpriu a função de “fiscalização e gerenciamento, permitindo que a obra não fosse concluída como deveria”.

A tarefa da CPOS, destaca a ATJ em sua auditoria, incluía, além da licitação, “planejamento executivo, estratégia de implantação, programação das atividades, controle físico-financeiro, fiscalização, levantamento de quantitativos e entrega da obra”, diz o relatório. “E tudo isso o fez com ressalvas, uma vez que serviços imprescindíveis para o funcionamento do prédio como pretendido, ficaram pendentes de execução”

O órgão deixa ainda a pergunta no relatório: “Quantos, quais e qual o valor dos contratos que foram necessários para a conclusão da obra objeto do contrato em questão nesses autos?”

Como as justificativas da CPOS foram reprovadas pela ATJ e pela Procuradoria da Fazenda, o processo, agora, será analisado pela Secretaria Diretoria Geral do TCE.

Movéis de 2 milhões “mofam” nos corredores

Móveis avaliados em R$ 2,3 milhões, parte deles importada dos Estados Unidos, “mofam” nos corredores da Assembléia. Foram adquiridos no final de 2006, mas como a obra do anexo atrasou, mesas, armários, poltronas e cadeiras estão empilhados em vários setores do prédio atual há dois anos.

As quatro empresas contratadas para o fornecimento dos móveis foram escolhidas por licitação na modalidade pregão presencial. A maior delas é a Giroflex, que importa parte dos móveis dos Estados Unidos, por meio da joint venture Irwin do Brasil. A empresa, com sede no Brasil, vendeu à Assembléia móveis luxuosos, como 317 poltronas revestidas com couro ao custo unitário de R$ 2.660,00. Tudo pago com dinheiro público.

Comissão de Serviços e Obras

Em dezembro de 2007, ao jornal Diário da Região (São José do Rio Preto), o presidente da Comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa paulista, deputado Sebastião Almeida (PT), disse que “não há motivos para justificar a compra de móveis sem que a obra estivesse terminada. Primeiro, porque nem havia espaço para eles, prova disso pe que estão por aí, nos cantos da Casa, ocupando espaços que são de circulação dos cidadãos paulistas. Segundo, porque estão perdendo a garantia e se deteriorando com a ação do tempo e da umidade, já que estão estocados em locais improvisados.”

Em setembro de 2007, Sebastião Almeida apresentou um requerimento de informações ao presidente da Casa, Vaz de Lima. “Queremos investigar essa obra, porque todos os prazos já foram para o espaço”, afirmou o parlamentar. “É vergonhoso para a Assembléia, que tem o papel de fiscalização, demonstrar tamanha fragilidade”, acrescentou.

Nada de efetivo aconteceu e o assunto parece que é deixado de lado pelos deputados.

Todos os partidos envolvidos

Um ano depois, em 24/9/2008, foi a vez do deputado Adriano Diogo (PT) falar em tribuna sobre os altos custos da construção do prédio anexo, que está incompleto, “oco”, mas com móveis importados já comprados.

Em entrevista ao Jornal da Tarde (24/9/2008), o deputado Aldo Demarchi (DEM) rebateu as críticas do petista Adriano Diogo que qualificou o prédio anexo de um “presente do DEM para São Paulo”. Para Demarchi, o deputado do PT “sabe muito bem que a Assembléia é comandada pela Mesa Diretora. O presidente era do partido (DEM), o primeiro secretário era do PT e o segundo do PDT. A responsabilidade é dividida”.

O contrato para a construção data de outubro de 2005, quando o atual presidente era Rodrigo Garcia (DEM), o primeiro secretário era Fausto Figueira (PT) e o segundo, Geraldo Vinholi (PDT).

Atualmente, a composição da Mesa Diretora é: Vaz de Lima (PSDB) – presidente; Donisete Pereira Braga (PT) – primeiro secretário; Edmir Chedid (DEM) – segundo secretário.

Proposta de deputados vai elevar teto dos servidores de R$ 14 mil para R$ 22 mil


O projeto de emenda constitucional (PEC 4/2008) apresentado por 65 dos 94 deputados para estabelecer um limite aos salários dos servidores estaduais do Estado de São Paulo propõe que este teto salarial hoje limitado ao mesmo valor pago ao governador – R$ 14.850,00 – passa a ser o equivalente aos salários dos desembargadores de Justiça de SP – R$ 22.111,25.

Em meio a luta da maioria dos 770 mil servidores do Estado por reajuste salariais que reponham as perdas de 14 anos sem aumento e que têm salários base abaixo do salário mínimo do Estado de R$ 450,00, uma minoria será beneficiada com um aumento de cerca de 48%. Entre as categorias beneficiadas estão os fiscais de rendas, coronéis da PM e procuradores de autarquias. Atualmente, estes servidores têm retido pelo Estado os valores que ultrapassam o teto de R$ 14.850,00. Por exemplo, embora o maior piso do fiscal de rendas seja de R$ 10.666,00, com o tempo eles incorporam vantagens que elevam o valor para mais do que ganha o governador. Porém, esse valor acima do teto do governador não é pago.

O governador José Serra se manifestou contra o projeto, no entanto, 38 deputados da base tucana na Assembléia Legislativa assinaram a PEC, além de 11 do DEM, 15 do PT e 3 do PSDB. (veja a lista dos deputados que assinaram no final da página)

O líder do governo na Assembléia, deputado Barros Munhoz (PSDB) afirmou que o projeto é uma temeridade. “Estamos em um momento em que muita gente que ganha muitíssimo menos está lucrando para ganhar um pouco mais. Não é exatamente o momento de você aumentar os maiores salários do Estado”, disse ele.

Na tribuna do Plenário durante a semana, os deputados não comentaram o assunto. Somente o deputado Major Olímpio Gomes (PV), em 25/11, que “o Executivo estadual tem o pior piso salarial para o servidor público e também o pior teto”. “Temos que valorizar e estabelecer teto salarial mais justo”, completou Olímpio.

* com informações do jornal Folha de S. Paulo

Abaixo a lista dos 65 deputados que assinaram a PEC 4/2008 que prevê o aumento do teto salarial dos servidores estaduais.

1. Edmir Chedid - DEM
2. Waldir Agnello - PTB
3. Roberto Morais - PPS
4. Davi Zaia - PPS
5. João Barbosa - DEM
6. Antonio Salim Curiati - PP
7. Marco Bertaiolli - DEM
8. Gilson de Souza - DEM
9. Ed Thomas - PSB
10. José Bruno - DEM
11. Reinaldo Alguz - PV
12. Gilmaci Santos - PRB
13.Estevam Galvão - DEM
14. Dárcy Vera - DEM
15. Celino Cardoso - PSDB
16. Baleia Rossi - PMDB
17. José Bittencourt - PDT
18. Aldo Demarchi - DEM
19. Edson Giriboni - PV
20. Vitor Sapienza - PPS
21. Mozart Russomanno - PP
22. Luis Carlos Gondim - PPS
23. Campos Machado - PTB
24. Roberto Engler - PSDB
25. Valdomiro Lopes - PSB
26. Rita Passos - PV
27. Uebe Rezeck - PMDB
28. Milton Leite Filho - DEM
29. Conte Lopes - PTB
30. Donisete Braga - T
31. Jorge Caruso - PMDB
32. Alex Manente - PPS
33. José Augusto - PSDB
34. Rogério Nogueira - PDT
35. Luciano Batista - PSB
36. Said Mourad - PSC
37. Edson Ferrarini - PTB
38. André Soares - DEM
39. Roque Barbiere - PTB
40. Olímpio Gomes -PV
41. Afonso Lobato - PV
42. Eli Corrêa Filho - DEM
43. Chico Sardelli - PV
44. Patrícia Lima - PR
45. Rafael Silva - PDT
46. Roberto Felício - PT
47. Maria Lúcia Prandi - PT
48. Adriano Diogo - PT
49. Hamilton Pereira - PT
50. Ana do Carmo - PT
51. Otoniel Lima - PTB
52. Antonio Mentor - PT
53. José Cândido - PT
54. Cido Sério - PT
55. Raul Marcelo - PSOL
56. Carlos Giannazi - PSOL
57. José Zico Prado - PT
58. Mário Reali - PT
59. Jonas Donizette - PSB
60. Marcos Martins - PT
61. Rui Falcão - PT
62. Haifa Madi - PDT
63. Ana Perugini - PT
64. Geraldo Vinholi - PDT
65. Enio Tatto - PT

Novas CPIs também devem acabar em “pizza”


Praticamente três meses após serem criadas, em 9/9/2008, as cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) tiveram membros nomeados em 26/11. Em reuniões a serem agendadas devem ser eleitos os presidentes das comissões.

Com prazo de 120 dias de duração, em janeiro próximo, em meio ao recesso parlamentar, as CPIs têm que apresentar seus relatórios finais, ou prorrogar por mais 60 dias seus trabalhos – até 9 de março, com carnaval pelo meio. Ou seja, em tempo tão exíguo nada ou quase nada deve ser apurado. Será mais uma “pizza”, ou melhor, cinco “pizzas” a serem servidas pelos parlamentares aos cidadãos paulistas que representam?

1. CPI para apurar repasses à defesa animal e vegetal para o Estado de São Paulo

Membros Efetivos: Marcos Zerbini (PSDB); Maria Lúcia Amary (PSDB); José Zico Prado (PT); Marcos Martins (PT); Aldo Demarchi (DEM); André Soares (DEM); Rafael Silva (PDT); Vinícius Camarinha (PSB); Feliciano Filho (PV)

Membros Substitutos: João Caramez (PSDB); Barros Munhos (PSDB); Simão Pedro (PT); Roberto Felício (PT); João Barbosa (DEM); Estevam Galvão (DEM); Geraldo Vinholi (PDT); Luciano Batista (PSB); Rita Passos (PV).


2. CPI para investigar denúncias sobre contaminações ambientais

Membros Efetivos: Rodolfo Costa e Silva (PSDB); Roberto Massafera (PSDB); Anba do Carmo (PT); Rui Falcão (PT); Eli Correia Filho (DEM); José Bittencourt (PDT); Jorge Caruso (PMDB); Rita Passos (PV); Waldir Agnello (PTB).

Membros Suplentes: Mauro Bragato (PSDB); João Caramez (PSDB); José Cândido (PT); Carlinhos Almeida (PT); Gilson de Souza (DEM); Rogério Nogueira (PDT); Baleia Rossi (PMDB); Feliciano Filho (PV); Conte Lopes (PTB).


3. CPI para investigar possíveis irregularidades na arrecadação e distribuição de direitos autorais

Membros Efetivos: Bruno Covas (PSDB); Maria Lúcia Amary (PSDB); Vicente Cândido (PT); Roberto Felício (PT); Rogério Nogueira (PDT); Ed Thomas (PSB); Davi Zaia (PPS); Waldir Agnello (PTB); Carlos Giannazi (PSOL)

Membros Suplentes Celino Cardoso (PSDB); Célia Leão (PSDB); Rui Falcão (PT); Enio Tatto (PT); Haifa Madi (PDT); Jonas Donizette (PSB); Vitor Sapienza (PPS); Conte Lopes (PTB); Raul Marcelo (PSOL).


4. CPI para apurar práticas irregularidades das operadoras de seguro

Membros Efetivos: Fernando Capez (PSDB); Roberto Engler (PSDB); Enio Tatto (PT); Milton Leite Filho (DEM); Edson Giriboni (PV); Baleia Rossi (PMDB); Roberto Morais (PPS); Waldir Agnello (PTB); Said Mourad (PSC).

Membros Substitutos: Maria Lúcia Amary (PSDB); Bruno Covas (PSDB); Ana Perugini (PT); Gil Arantes (DEM); Reinaldo Alguz (PV); Jorge Caruso (PMDB); Vitor Sapienza (PPS); Conte Lopes (PTB); Lelis Trajano (PSC).


5. CPI para investigar a situação econômica das Santas Casas do Estado

Membros Efetivos: Mauro Bragato (PSDB); Pedro Tobias (PSDB); Carlinhos Almeida (PT); Hamilton Pereira (PT); João Barbosa (DEM); José Bittencourt (PDT); Vitor Sapienza (PPS); Vanessa Damo (PV); Antonio Salim Curiati (PP).

Membros Substitutos: Analice Fernandes (PSDB); Paulo Alexandre Barbosa (PSDB); José Cândido (PT); Simão Pedro (PT); Aldo Demarchi (DEM); Geraldo Vinholi (PDT); Roberto Morais (PPS); Reinaldo Alguz (PV); Mozart Russomano (PP)

Trabalho de deputado deve se limitar a fazer emendas para correligionários?


A resposta para a pergunta que deveria ser um sonoro não, infelizmente na prática é o que acaba acontecendo. Para o Orçamento de 2009, os deputados estaduais de São Paulo apresentaram 10.927 emendas, o que dá uma média de 116 emendas por parlamentar. Desse total, 90% se referem a emendas pontuais, ou seja, especificam onde o recurso deverá ser aplicado. Os outros 10% são as genéricas que estão relacionadas a remanejamentos orçamentários e possuem um caráter mais temático, ou seja, um deputado pode fazer uma emenda solicitando passar parte do dinheiro previsto no Orçamento com a publicidade do governo para a Saúde, por exemplo.

Nas pontuais é evidente que as emendas parlamentares são usadas como mecanismo para atender aos seus redutos eleitorais, geralmente com obras ou melhorias. No entanto, também as genéricas são feitas para atender aos correligionários. Segundo o relator da Lei do Orçamento do Estado para 2009 (PL 643/2008), deputado Roberto Engler (PSDB), os deputados paulistas solicitaram a realocação de R$ 55 bilhões, preferencialmente para as cidades de suas bases. O valor corresponde à um terço do Orçamento do ano que vem, que está previsto em R$ 166 bilhões.

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, publicada em 24/11/2008, diz: “Um deputado ouvido pelo jornal ressaltou que produzir o que considera um excesso de emendas é pura demagogia, com o intuito de agradar às regiões onde conseguem mais votos - e depois jogar a culpa para escalões mais altos do poder. De acordo com esse deputado, a ação é comum tanto na base de apoio do governo como na oposição. Dizem à população: Eu dei dinheiro para fazer a praça, canalizar o córrego. Só o que interessa é que a emenda foi feita.”

Dinheiro da gavetinha será de R$ 2 milhõesO chamado dinheiro da gavetinha é uma reserva orçamentária para que o governo atenda as emendas pontuais de cada um dos 94 deputados. No Orçamento de 2009, o dinheiro da gavetinha está definido em R$ 2 milhões para cada parlamentar, o que corresponde a R$ 188 milhões do cofre paulista.

Os políticos alegam que são cobrados em seus redutos para que obras e serviços sejam realizados. De certa forma, a liberação do dinheiro pelo governo facilita uma convivência mais pacífica com os deputados, que são os responsáveis pela aprovação de projetos encaminhados pelo Executivo à Assembléia Legislativa.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, publicada em 24/11/2008, o deputado Roberto Engler (PSDB) afirmou que o total reservado para os deputados estaduais aplicarem em suas bases, de R$ 188 milhões, acalmou o processo de decisão do Orçamento. “A minha expectativa pessoal é de encontrar uma facilidade maior para o entendimento na Casa. Quero prestigiar todos os deputados, mas é impossível atender a todas as emendas”, ressalta Engler.

Cada deputado aponta 3 emendas pontuais

Os deputados estaduais tiveram até a última sexta-feira (28/11) para indicar ao relator da Lei do Orçamento 2009 três emendas que consideram prioritárias, pontuais ou não.

A novidade, este ano, diz respeito às emendas tidas como pontuais - especificam onde o recurso deverá ser aplicado. Nas outras oito vezes em que o deputado Roberto Engler (PSDB) exerceu a relatoria do projeto, essas emendas eram sistematicamente descartadas.


Desta vez, os critérios foram alterados e Engler vai acolhê-las desde que a soma dos valores remanejados nas emendas não ultrapasse R$ 2 milhões por deputado. Isso significa, na prática, que bem mais de três emendas poderão ser indicadas pelos gabinetes ao relator.

Segundo o relator do Orçamento, deputado Roberto Engler (PSDB), além das emendas pontuais limitadas a R$ 2 milhões por parlamentar, as emendas não pontuais dos deputados serão analisadas de outra forma: "cada uma delas será avaliada de acordo com critérios técnicos e analisada com os olhos do governo". Ou seja, serão acatadas apenas as que estiverem em consonância com a política do governo e puderem se inserir nos objetivos e na estimativa de recursos dos programas já previstos. Segundo ele, as emendas não pontuais que, embora apresentadas por diferentes deputados, versarem sobre o mesmo assunto, serão agrupadas e repropostas na forma de uma subemenda. Caberá ao relator redefinir os valores comprometidos.

As emendas devem visar o aperfeiçoamento do projeto original e não podem aumentar a dotação orçamentária. Depois da publicação das emendas, o projeto seguiu para a Comissão de Finanças e Orçamento, que deverá votar o parecer do relator. Cumprida essa exigência, o projeto fica pronto para ser apreciado pelo Plenário e, uma vez aprovado, segue para sanção do governador.